Assinatura da existência

No íntimo, todos nós escrevemos,de pensamentos na alma até rascunhos de uma vida. E existe alguém capaz ler nosso idioma, umas vezes português, outras, sussurros. Todas as versões do sagrado escrevem em tempo integral, cada letra codificada em lugares, sentimentos e pessoas, distribuídos em folhas aleatórias para que nós interpretemos e sejamos capazes de transformar esbarrões como o início de um caminho que nos levam à acariciar as histórias por trás de um rosto.

Guardo os rabiscos porque gosto de saber de onde vim. Desenho pessoas de acordo com a percepção da maior romantizadora de problemas que eu conheço: eu. Faço planos da grandeza, doçura e leveza de um algodão doce, mas ao invés de garrafas eu troco pedaços de mim, escritos em bilhetes, quartos e gente.

A verdade é que podemos ter andado de mãos dadas, você pode ter me salvado de um acidente na hora de atravessar a rua, posso ter te coberto de madrugada, mas se eu não ver a tua letra, você nunca será a minha gargalhada depois de uma piada sem graça. Na caligrafia de alguém é que eu encontro o dicionário para abismos interiores, encontro a razão do terremoto constante que são algumas pernas.

Não trago muito comigo, mas sou incapaz de sair de casa e esquecer de levar comigo as letras que me mostraram novos caminhos. Que me fizeram derrapar em curvas de lençóis finos, que compuseram a trilha sonora dos meus romances. Quando eu  perguntar o óbvio para ouvir o esperado, quando os batimentos cardíacos não existirem mais e nossos olhares já não se acolherem,tudo que eu escrevi serão versos a ecoarem por ai, e as mais variadas letras, a assinatura da minha existência.


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