Nós e um rádio

Natal. Poucos dias antes, encontrei no Facebook uma pessoa que tinha visto uma vez. Dias depois, a gente estava cortando os quatro cantos do extremo Sul do Brasil. Muita estrada pra pouco tempo. As nossas gargantas secavam não só por causa dos cigarros, era muita história. Da ex que bebeu com Bob Dylan no México e mandou uma foto na semana anterior, dos anos que viveu num barco, do livro que foi publicado sem eu querer... Quando não era no celular ou na vitrola, era no som do carro que Charlie Musselwhite, B.B King, Jimi Hendrix, Vinícius, Caetano, John Mayall, Jeff Healey e outros deuses cantavam. Tenho certeza que já íamos pra lá dos 160km/h. Os dois velhos que pegaram carona com a gente pulavam como bolas de tênis na carroceria. Quando o carro pulou junto, o Pen-Drive desconectou e automaticamente a música da rádio começou. Era Marília Mendonça. A gente se entreolhou e começamos a cantar alto. Dava pra ver pelo retrovisor os sorrisos dos caras. Antes de voltar pra Imperoza, enchi minha bolsa de histórias e guardei o Pen-Drive que Danilo me deu. Uma seleção de Blues e Jazz. Tentei muitas vezes voltar naqueles dias ouvindo a seleção. Inútil. Só quem conseguiu essa proeza foi a minha vizinha. Ela ligou o som às 06:00 da manhã tocando Marília. Senti até o vento no rosto outra vez.

Foto: @joenarua



Comentários

Postagens mais visitadas